11 de mar de 2010

A Maldição da Lojinha Holística ou Pierrot e o azarado

Eu acho que foi através dos jornais que cheguei ao escritório de Pierrot. Só não sei precisar se foi pela matéria na coluna de ciências ou nos classificados que trazem a pessoa amada em três dias, num quadro espremido estrategicamente entre as diferentes ofertas de materiais para escritório, massagens sueco-tailandesas e sexo fantástico e discreto com quase mulheres.

Você sabe como é, a memória anda de braço dado com a vergonha e nos esconde os momentos inglórios descaradamente. Logo, peço antecipadamente minhas desculpas, pois vou tentar descrever essa minha quase-memória como uma confissão, sem poupá-los dos detalhes ridículos que gostaria de esquecer.

Sempre fui um solitário cético e recluso. Viveria tranqüilamente indo de casa para o trabalho religiosamente sem buscar qualquer distração que me forçasse a sair de minha toca ou me afastasse de minhas coleções de livros.

Mas havia Lígia em minha vida.

Somente Lígia conseguia me arrastar para rua e me pôr em contato com outros seres humanos, contra minha vontade na maioria das vezes.

Ela era solar e mística, adorava dançar, conversar nos bares e perseguir uma resposta existencial. Eu era totalmente o oposto mas, hipnotizado pelo amor, fazia tudo que ela me pedia, tudo mesmo, sem reclamar ou demonstrar mau humor.

Mas ela sabia do que eu não gostava. E sempre arranjava uma forma de me criticar ou de expor minha "cárie cínica", minha total falta de fé.

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